Maria Adelaide

Maria Adelaide

Documentário / HD / 60’ (previsto) /  PT 


SINOPSE

No norte de Portugal, existe uma santa em carne conhecida como Santa Maria Adelaide. Há mais de um século que esta recebe milhares de cartas e visitas de pessoas na sua morada eterna – uma pequena capela, na freguesia de Arcozelo. Para além das cartas, acompanhadas por fotografias e recados que lhe foram deixando num misto de prece e agradecimento, mais de 600 vestidos de noiva foram oferecidos.

Ninguém sabe ao certo como é que este fenómeno começou, mas é a partir destes ex-votos que se foram juntando ao redor da Santa, que o filme vai-se desenvolver. Entre o documental e o experimental, pretende-se criar um eco de memórias dos seus crentes a partir de imagens, depoimentos e sons. Quer-se explorar os medos, sonhos, desejos, arrependimentos e ambições comuns a todos os seres humanos, estabelecendo uma relação entre o real e o imaginado, entre os factos e a forma como nos recordamos.

Como tal, iremos intercalar, e particularizar o fenómeno da Santa de Arcozelo, com uma procissão/desfile de moda das centenas de vestidos de noiva oferecidos. A procissão atravessará o filme de uma ponta à outra, marcando o início e o fim do mesmo. O início será construído a partir do processo de casting e entrevista às raparigas de Arcozelo que irão desfilar na procissão. É através delas e dos seus relatos que se fará a ponte para o passado, seja pela captação de testemunhos diretos ou reprodução de imagens e cartas pertencentes ao espólio da capela. O fim do filme coincidirá com o fim da procissão, no sítio onde ela começou - no cemitério da vila - onde também se encontra a capela e o corpo mumificado da santa. Uma celebração no presente que fecha um filme que até aqui se centrará no passado e nos seus fantasmas.

Este fenómeno não é exclusivamente feminino. Divide-se entre as noivas e os seus homens, muitos deles soldados enviados para a Guerra Colonial (1961-74). As suas histórias e os seus rostos, através dos inúmeros retratos oferecidos à santa para sua proteção, aparecerão intercalados com as imagens da procissão.

Este é e não é um filme religioso. O lado religioso aparece apenas como uma sombra comportamental na mimesis da procissão como rotina religiosa, uma evocação dos rituais em vez dos próprios rituais, já que ainda por cima esta não é uma santa canonizada e não pertence a nenhuma religião.

É um filme sobre o ser humano e as suas crenças. O que é que nesta vida nos separa e o que é que nos une? O que é que os nossos antepassados pediam à Santa e o que lhe pedem hoje os que lá vão? O que é que deixámos de querer e o que é que continuamos a querer?






BIOGRAFIA DA REALIZADORA

Joana Linda



Com uma ligação forte ao cinema e à música, realizou as curtasmetragens Layla e Lancelot (DocLisboa ‘16) e Em cada Lar Perfeito um Coração Desfeito (IndieLisboa‘13).

Encenou também R&J: uma adaptação da peça Romeu e Julieta comum elenco inteiramente feminino (Temps D’Images, 2014). 
No mundo da música, tanto em vídeo como em fotografia, trabalhou de perto com nomes como Cristina Branco, Ana Moura, Samuel Úria, Joana Espadinha, Marissa Nadler, Mazgani, Márcia e André Henriques.

Participou igualmente em várias exposições de fotografia individuais e coletivas. Colabora assiduamente com o Teatro do Silêncio e Teatro do Bairro Alto no registo fotográfico dos seus espetáculos. Comercialmente, já colaborou com o Museu Coleção Berardo, Holmes Place Worldwide, EDP, Força de Produção, entre outros.